CANCÚN - Desde que começou a monitorar o clima do planeta, em 1850, a Organização Mundial de Metereologia (WMO) aponta esta década (2001 a 2010) como a mais quente já registrada. Neste período as temperaturas globais aumentaram 0,46º C sobre a identificada de 1961 a 1990. O aquecimento maior foi sentido no Ártico, na África, na Ásia Central e em partes do Canadá. Essas regiões tiveram, nesta década, um aumento de temperatura de 1,2º C a 1,4º C com relação à média registrada. Além disso, o levantamento divulgado nesta quinta-feira na Convenção Climática da ONU (COP-16) aponta que 2010 estará provavelmente entre os três anos mais quentes de que se tem notícia. Os outros dois anos mais quentes foram 1998 e 2005. O anúncio foi feito enquanto delegados de 194 países se reúnem no México para tentar destravar as negociações por um acordo para conter as mudanças climáticas.
Estes são os fatos:
Se nada for feito, a curva da temperatura continuará subindo, subindo e subindo. Em 50 anos o que estamos vendo em 2010 não será excepcional, mas normal. A convenção é uma negociação. Nosso papel é apresentar os dados mais atualizados _ afirmou Michel Jarraud, secretário-geral da WMO. Ele manifestou preocupação especificamente com relação ao rápido derretimento do gelo no Ártico, que segundo ele é uma prova contumaz do aquecimento global, e apontou que a mesma onda de calor que abateu a Rússia, em julho deste ano, causou as fortes chuvas que levaram a enchentes no Paquistão. O calor na Rússia matou mais de 14 mil pessoas somente no mês de julho. Segundo a WMO, o país registrou uma temperatura 7,6º C acima do normal. Segundo Jarraud, é difícil dizer com certeza que o aquecimento global que causou anomalias climáticas em todo o planeta este ano foi gerado pela ação do homem, mas que certamente o que houve na Rússia não teria acontecido 100 anos atrás.
Esses dados compõem a série de informações analisadas por cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que regularmente apresenta relatórios usados pelos negociadores da Convenção Climática em suas deliberações.

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