A exposição de fotos “Roraima, a Montanha Sagrada” é um registro documental do fotógrafo Fred Schiffer, que, em fevereiro de 2010, junto com um guia venezuelano e um cozinheiro da comunidade Paratepuy, passou dez dias entre trilhas, acampamentos indígenas, chuvas, sol e vegetação de savanas até alcançar o topo do Monte Roraima ( uma formação rochosa de aproximadamente três mil metros de altitude, que surgiu antes mesmo dos continentes se separarem, há cerca de 2 bilhões de anos)
Durante a expedição, o fotógrafo fraturou o pé em uma queda no último estágio de ascensão ao topo, e passou três dias no alto do monte fotografando, já que a bota servia como tala, havia medicamentos e a dor não era tão intensa. O tempo muda com a velocidade de se trocar uma lente. Você pode ter uma vista perfeita do monte e, em minutos, tudo pode ficar nublado. Você pode ter um sol lindo e, de repente, um barulho estranho, prenunciado por ventos, anuncia que um grande temporal vai obrigá-lo a dar uma pausa. Deve-se respeitar a montanha, seus caprichos e levar as imagens que os deuses permitirem.
Os fotógrafos são avisados de que variações de umidade e temperatura podem travar uma máquina digital, e é comum haver passeios que não tiveram nenhum registro, já que uma variação de 38 graus durante o dia faz a máquina cessar quando se depara com a temperatura de zero grau do topo do Monte — isto em menos de cinco horas. Mais uma vez, a poderosa Nikon D2xs resistiu bem.
Outro impeditivo é a duração das baterias das máquinas. Não há onde recarregar, então como era comum nos tempos de máquinas analógicas, é muito bom pensar antes de clicar, porque talvez você esteja gastando um pouquinho da energia que precisará em uma foto melhor.
Apesar de a maior parte do Monte ficar na Venezuela, a melhor organização de logística de excursão fica no Brasil. Pode ser um pouco mais cara, mas, para uma excursão segura, não há preço. Durante os dias de caminhada, você se defronta com grupos sem qualquer infraestrutura, sem equipamentos básicos e até mesmo com deficiência de alimentos.
Os operadores brasileiros que buscam explorar o turismo ao Monte de forma sustentável, respeitando os limites dos aventureiros, a natureza e, acima de tudo, a segurança, se contrapõem às operadoras venezuelanas que, carentes de recursos, vendem por qualquer preço e sob quaisquer condições a ida ao Monte.
O Monte Roraima não perdoa desatenção ou desrespeito às suas regras. Não se deve retirar as riquezas que lá estão há milhões de anos, mas é comum ver, nos bolsos dos turistas, cristais de quatzo sem qualquer valor material.
Fred Schiffer é um fotógrafo, colaborador da ONG Amazônia www.amazonia.org.br, que acompanha seus trabalhos há mais de dez anos. Já fez exposições individuais sobre Cuba, Rio Negro e o Pico Cucuí, Peru e Nova York. Tem fotos publicadas em relatórios dos órgãos oficiais de Meio Ambiente, revistas de aventuras e vários blogs dedicados ao assunto.

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